Passo a Passo: Como Escolher a Semente de Forrageira Certa para o Plantio

 

 

1) Finalidade e Variedades

As plantas forrageiras, cultivadas para proteger o solo, fornecer palha e alimentar animais, são classificadas em gramíneas e leguminosas. Seu desenvolvimento está vinculado a fatores como solo, plantas e animais, sendo essenciais para a pecuária em pastagens. A escolha criteriosa dessas plantas é crucial para o sucesso na produção, exigindo análise detalhada de características como potencial produtivo, persistência, rebrotação e valor nutritivo.

Para cultivo em atividades agrícolas, considerar a finalidade é crucial:

Plantio Direto: Faça análise do solo para determinar se a forrageira pode preservar a terra, especialmente em terrenos com sinais de erosão.

Adubação Verde: Opte por leguminosas, pois fixam mais nitrogênio no solo por simbiose.

Pastagem: Avalie o sistema de produção (contínuo ou rotacionado) e escolha gramíneas e leguminosas compatíveis para garantir uma dieta equilibrada em energia e proteína para o gado.

 

Forrageiras para Produção de Leite e Carne:

  • As espécies de Brachiaria são amplamente utilizadas na produção de leite e carne no Brasil. 
  • O Marandu e o decumbens são opções populares em todas as fases do sistema, especialmente na recria e engorda. 
  • Já o Tanzânia e o Mombaça são recomendados para sistemas intensificados de produção de leite, com pastejo rotacionado. 
  • As espécies Cynodon, Panicum, Pennisetum e Brachiaria brizantha são indicadas para produtores que desejam intensificar a produção de leite a pasto.

 

Adaptação às Preferências dos Animais:

Ovinos: Ovinos geralmente pastam em grupos, circulando em contorno em pastagens altas, adentrando à medida que são rebaixadas pelo pastejo.

 

Caprinos: Caprinos preferem pastagens mais baixas, realizando o pastejo próximo ao solo e é importante que consigam se ver enquanto se alimentam.

 

Bovinos: Bovinos optam por forrageiras com muitas folhas e poucos colmos, recusando aquelas com colmos mais duros.

 

Equinos: A escolha da forrageira para equinos deve considerar vários fatores, incluindo potencial de produção, adaptação climática, exigência de solo, hábito de crescimento e palatabilidade.

 

A decisão deve ser pautada pela finalidade da atividade, levando em conta as necessidades específicas de cada espécie animal e as condições ambientais da fazenda.

 

 

2) Tipos de Forrageiras

As forrageiras, essenciais para a alimentação animal, dividem-se principalmente em dois tipos: gramíneas e leguminosas, cada uma com suas particularidades e variedades.

 

Gramíneas Forrageiras:

As gramíneas, caracterizadas por folhas lineares, como gramas e capins, são adaptáveis e dispersam suas sementes rapidamente. Elas surgem naturalmente nas pastagens, algumas sendo plantas perenes. Destacam-se pelo rápido desenvolvimento, facilitando o preparo ágil dos campos de pastagem. Algumas espécies comuns incluem:

Aveia: não se desenvolve bem em solos muito úmidos, mas tem a vantagem de fornecer forragem rapidamente. Algumas variedades comuns são a aveia preta e a aveia branca.

Azevém: tem uma alta capacidade de produzir forragem de qualidade. Ela é resistente ao pastejo e também suporta condições de umidade excessiva, o que permite que ela se replantio naturalmente.

Capim-elefante: possui alta produtividade, usado em pequenas áreas ou para corte.

Grama Bermuda e Estrela: são plantas perenes que se adaptam melhor a regiões mais quentes geralmente são reproduzidas por meio de mudas.

Capim-carrapicho: inicialmente considerado planta-daninha, possui bons valores nutricionais.

Capim-mombaça: destaca-se pelo valor nutricional em climas tropicais e solos argilosos.

 

 

Leguminosas Forrageiras:

Caracterizadas pela produção de sementes dentro de vagens, as leguminosas são vantajosas para rebanhos bovinos leiteiros, oferecendo baixo custo e alto valor proteico. Além disso, contribuem para a fertilidade do solo por meio da fixação biológica de nitrogênio. Algumas espécies notáveis incluem:

Alfafa: a obtenção de uma alta produtividade e qualidade na produção de feno e corte requer solos profundos e com boa fertilidade.

Amendoim-forrageiro: essa planta é competitiva com espécies invasoras, consegue resistir ao inverno e não causa timpanismo no gado. Ela se multiplica principalmente por meio de mudas.

Feijão-miúdo: resistente à seca, indicado para verão e outono, se adaptando a diferentes tipos de solo.

Cornichão: se destaca por sua alta qualidade e é capaz de se desenvolver bem em diferentes tipos de solo e clima. Além disso, não causa timpanismo.

Trevos (branco, vermelho, persa): quando combinados com azevém e aveia, ajudam a prevenir o timpanismo em animais. Além disso, eles também contribuem para melhorar a qualidade da dieta animal.

Essa diversidade de forrageiras oferece opções versáteis para atender às diferentes necessidades e condições de cultivo em diversas regiões.

 

 

3) Clima

 

 

A escolha de capim para pastagem deve considerar fatores como temperatura, volume de chuva e exposição solar na região. 

Norte, Centro-Oeste e Sudeste: em regiões mais quentes e com boa disponibilidade de luz, é recomendado o uso de gramíneas forrageiras de clima tropical, como Brachiaria. 

Nordeste: onde há baixa quantidade de chuvas e altas temperaturas, é indicado o uso de capins do gênero Panicum, mas é importante considerar a irrigação em sistemas intensificados. 

Sul: as condições são adequadas para forrageiras perenes de verão, como Pennisetum e Brachiaria, e também para cultivares de azevém, aveia e leguminosas adaptadas aos invernos mais rigorosos, com baixas temperaturas.

 

4) Solo

 

 

Antes de iniciar o plantio de pastagens, é crucial avaliar as condições do solo e do clima na região desejada. Fatores como temperatura, precipitação, luminosidade e resistência do solo a pragas e doenças desempenham papéis fundamentais para alcançar resultados satisfatórios. Para ajustar as propriedades de fertilidade do solo, recomenda-se a correção com calcário e a aplicação de fertilizantes, os quais devem atender às necessidades específicas da espécie forrageira escolhida.

É importante destacar que a topografia da área não pode ser modificada, exigindo, portanto, a escolha de uma forrageira que ofereça boa cobertura de solo e razoável tolerância à baixa fertilidade do solo, especialmente em terrenos declivosos, como destaca Paciullo. Essas considerações são essenciais para o planejamento eficaz da implantação da pastagem e para otimizar o desempenho da forrageira escolhida.

 

5) Forrageiras populares

 

 

As principais espécies usadas para formação de pastagens no Brasil são as forrageiras dos gêneros Brachiaria, Panicum, Cynodon e Pennisetum. 

As braquiárias, como o capim marandu e a braquiária decumbens, são as mais comuns devido à sua produtividade, valor nutritivo, facilidade de plantio e manejo, flexibilidade de uso, produção de sementes e qualidade para a produção animal. 

As cultivares Xaraés e Piatã também têm ganhado popularidade entre os pecuaristas. No caso do gênero Panicum, as cultivares Tanzânia, Mombaça e Massai são as mais utilizadas devido à alta produção de forragem e resistência às cigarrinhas das pastagens. 

A cultivar BRS Zuri, lançada recentemente pela Embrapa, também é uma opção para a pecuária leiteira. Já as gramíneas do gênero Cynodon, como a grama-estrela e o Tifton 85, possuem alto valor nutritivo, mas têm a limitação de propagação por mudas. 

O capim-elefante, do gênero Pennisetum, é amplamente utilizado para formação de capineiras e pode ser usado na forma de verde picado ou silagem. 

No entanto, é suscetível às cigarrinhas das pastagens. Para regiões com invernos mais frios, como o Sul do país, são utilizadas forrageiras como azevém e aveia.

 

6) Manejo

 

 

O manejo da pastagem é muito importante para garantir um bom valor nutricional das gramíneas. Com o passar do tempo, as plantas acumulam matéria seca, o que é bom para a produção, mas pode resultar em perdas nutricionais, como queda na proteína, aumento da fibra e redução da digestibilidade da forragem. 

Isso ocorre devido ao envelhecimento da planta e ao acúmulo de colmos e folhas mortas, que são menos palatáveis para os animais. Para obter uma forragem com bom valor nutritivo, é importante seguir recomendações de manejo adequadas para cada espécie ou cultivar. 

Atualmente, as orientações de manejo se baseiam em alturas do pasto a serem observadas, tanto para o manejo rotacionado quanto para a lotação contínua. É recomendado que os produtores busquem informações e orientações específicas para a forrageira que desejam plantar e o nível de intensificação desejado.

 

 

Referências:

AGRIQ. Plantas Forrageiras: Importância, Características e Uso na Alimentação Animal. Disponível em: https://www.agriq.com.br/plantas-forrageiras/#:~:text=As%20plantas%20forrageiras%20s%C3%A3o%20plantas,direto%20e%20alimentar%20os%20animais.

Sementes Santa Fé. Informações Capins para Pastagem: Saiba Como Escolher a Forrageira Certa. Disponível em: https://sementessantafe.com.br/informacoes-capins-para-pastagem-saiba-como-escolher-a-forrageira-certa-5204582#:~:text=Para%20escolher%20a%20forrageira%20certa,%2C%20recria%2C%20engorda%20ou%20silagem.

Terra Forte Máquinas. 8 Dicas Para Escolher a Forrageira Certa e Formar Boas Pastagens. Disponível em: https://terrafortemaquinas.com.br/8-dicas-para-escolher-a-forrageira-certa-e-formar-boas-pastagens/

Syngenta Digital AG. Plantas Forrageiras: Conheça as Principais Espécies e Suas Características. Disponível em: https://blog.syngentadigital.ag/plantas-forrageiras/